Família

Reconhecimento de paternidade: como fazer e o exame de DNA

O reconhecimento de paternidade garante ao filho direitos fundamentais — nome, alimentos, herança. Pode ser feito de forma voluntária (em cartório) ou judicial (com exame de DNA). Veja como funciona.

Leitura de ~6 min

Reconhecimento voluntário (em cartório)

O pai pode reconhecer o filho espontaneamente, a qualquer tempo, no Cartório de Registro Civil — no momento do registro ou depois, por averbação. É a forma mais simples e não exige processo.

Reconhecimento judicial (ação de investigação de paternidade)

Quando o suposto pai não reconhece voluntariamente, cabe a ação de investigação de paternidade, em que se busca a comprovação do vínculo — normalmente pelo exame de DNA.

  • A recusa injustificada do suposto pai em fazer o DNA gera presunção de paternidade (Súmula 301 do STJ): a recusa pesa contra ele;
  • A ação é imprescritível (pode ser proposta a qualquer tempo);
  • Pode ser cumulada com pedido de alimentos e retificação do registro.

Exame de DNA

É a prova mais segura. Pode ser determinado pelo juiz; em alguns estados há programas gratuitos de DNA para ações de paternidade (verifique a Defensoria Pública / TJ local). O resultado, somado às demais provas, fundamenta a decisão.

Paternidade socioafetiva

O Direito reconhece também a paternidade socioafetiva — o vínculo construído pelo afeto e convivência (quem cria como pai), mesmo sem laço biológico. Ela pode ser reconhecida em cartório (provimento do CNJ) ou na Justiça, e gera os mesmos direitos da paternidade biológica. É possível, inclusive, a multiparentalidade (registro com pai biológico e socioafetivo).

Direitos que decorrem do reconhecimento

Reconhecida a paternidade, o filho passa a ter direito a nome, alimentos (pensão), herança e demais efeitos da filiação — todos os filhos têm iguais direitos, independentemente da origem.

Perguntas frequentes

Como reconhecer a paternidade?

De forma voluntária, o pai reconhece o filho no Cartório de Registro Civil, a qualquer tempo. Quando não há reconhecimento espontâneo, cabe a ação de investigação de paternidade na Justiça, normalmente com exame de DNA para comprovar o vínculo.

O que é preciso para dar entrada no reconhecimento de paternidade?

No voluntário, basta o pai comparecer ao cartório com seus documentos e os do filho. No judicial, ajuíza-se ação de investigação de paternidade (com advogado ou Defensoria), indicando o suposto pai e pedindo o exame de DNA, podendo cumular com alimentos.

E se o suposto pai se recusar a fazer o DNA?

A recusa injustificada gera presunção de paternidade, conforme a Súmula 301 do STJ — ou seja, pesa contra quem se nega. O juiz analisa essa recusa junto às demais provas para decidir, e a paternidade pode ser reconhecida mesmo sem o exame.

A ação de paternidade prescreve?

Não. A ação de investigação de paternidade é imprescritível: pode ser proposta a qualquer tempo pelo filho. Já o pedido de herança decorrente, em ação própria, pode ter prazos específicos a observar.

O que é paternidade socioafetiva?

É o vínculo de filiação construído pelo afeto e pela convivência — quem cria e trata como filho, mesmo sem laço biológico. Pode ser reconhecida em cartório ou na Justiça e gera os mesmos direitos da paternidade biológica, admitindo-se até a multiparentalidade.

Dá para fazer teste de paternidade pelo SUS ou gratuito?

Em ações de investigação de paternidade, alguns estados oferecem exames de DNA gratuitos por meio do Judiciário ou da Defensoria Pública. A disponibilidade varia por localidade — vale consultar a Defensoria ou o Tribunal de Justiça do seu estado.

Quais direitos o filho passa a ter com o reconhecimento?

Direito ao nome do pai, a alimentos (pensão), à herança e aos demais efeitos da filiação. A lei garante igualdade entre os filhos, independentemente da origem, vedando qualquer distinção decorrente do tipo de filiação.

Quanto tempo demora um processo de reconhecimento de paternidade?

Varia conforme a comarca, a realização do exame de DNA e a existência de defesa. Pode levar de alguns meses a mais tempo. A definição da data do exame e eventuais recursos são os principais fatores que influenciam a duração.

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Este conteúdo é informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Para o seu caso concreto, consulte um(a) advogado(a).